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Novidades | 23/07/2010
Entrada da Caixa alavancará o mercado de títulos imobiliários

A entrada da Caixa Econômica Federal no mercado de securitização deve popularizar o investimento em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). "A entrada da Caixa tende a beneficiar o mercado de securitização e deve atrair mais investidores para o CRI", vislumbra o diretor da Petra Corretora, Ricardo Binelli.

Binelli se refere à informação divulgada nessa última terça-feira de que a Caixa deve emitir inicialmente R$ 500 milhões em CRI até o final de setembro e outros R$ 500 milhões até o final do ano.

Mas mesmo sem a entrada do banco estatal, o mercado de CRI vinha crescendo expressivamente. De acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a emissão de CRI cresceu 28,6% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2009. Nesse período, a emissão de CRI evoluiu de R$ 1,66 bilhões emitidos no primeiro semestre de 2009 para R$ 2,143 bilhões no primeiro semestre desse ano.

Uma das principais securitizadoras, a Brazilian Securities, que emitiu R$ 1 bilhão no primeiro trimestre, espera dobrar suas emissões no segundo trimestre. "Nossa meta está entre R$ 2,8 bilhões e R$ 3 bilhões até o fim do ano", declarou o diretor da Brazilian Securities, Fernando Cruz.

Segundo o diretor da Brazilian Securities, até a data de 22 de julho, as emissões de CRI da companhia somavam R$ 2,79 bilhões no mercado, entre as operações registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e as feitas por esforços restritos.

O diretor da Petra Corretora explicou por que o CRI está sendo procurado. "Apesar de ser um produto para um público muito restrito, a cota mínima de R$ 300 mil permite isenção do Imposto de Renda (IR) para pessoas físicas", esclarece Binelli.

Ele detalhou como é a rentabilidade desse produto. "A remuneração é atraente, está entre 8% e 9% ao ano acima da inflação; alguns fazem indexado ao IPCA e outros ao IGP-M", diz Binelli.

De acordo com o diretor, esse nível de remuneração é superior ao de diversas aplicações em renda fixa. "Mas o investidor deve estar atento para a falta de liquidez desses papéis", alerta Binelli.

A questão da liquidez do CRI também foi apontada pelo diretor da Brazilian Securities. "O mercado secundário é muito pouco desenvolvido. Há papéis com prazo de até 30 anos, de acordo com a natureza do financiamento imobiliário", diz Cruz.

Mas o diretor da securitizadora também vê com bons olhos a entrada da Caixa nesse segmento. "É muito bom, e outros bancos devem aparecer também", prevê.

Cruz esclareceu a necessidade da Caixa de atuar nesse segmento. "Existe uma previsão de que em até 3 anos os recursos da poupança não suportarão todo o crédito imobiliário", diz.

" O CRI é uma forma de a Caixa vender parte de sua carteira e conseguir recursos para dar continuidade ao financiamento imobiliário", avalia Cruz.

Ele acredita que o mercado de securitização tem bom potencial."As perspectivas são bastante interessantes pelo incentivo do governo em fomentar o mercado imobiliário, que ainda representa 13% do PIB [produto interno bruto]", explica Cruz.

O executivo aponta outros caminhos que podem levar esse mercado a crescer. "Há o desenvolvimento de fundos de investimento que estão comprando CRIs", informa.

Entre as ofertas de CRI registradas na CVM este ano, a Brazilian Securities aparece com 26 operações e R$ 400,21 milhões.

A RB Capital apareceu com o segundo maior volume registrado, R$ 321,25 milhões em duas ofertas. "Junto com a emissão por esforços restritos já atingimos R$ 1,2 bilhão, superior a todo o volume do ano passado", declarou o diretor de Relações com Investidores da RB Capital, Marcelo Mishalua.

"Nossa meta é crescer 50%, R$ 1,6 bilhão de forma confortável, mas podemos chegar a R$ 1,8 bilhão, ou mais de R$ 2 bilhões se participarmos da operação da Caixa", concluiu Mishalua.

A Anbima informou que a emissão por esforços restritos atingiu R$ 1,08 bilhão até julho.

Fonte:Jornal DCI

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